Perfeccionismo ou busca por excelência?
"Eu só gosto de fazer bem feito." A frase serve para duas pessoas muito diferentes. Uma delas está satisfeita. A outra não dorme.
De fora, o comportamento se parece: capricho, atenção ao detalhe, vontade de entregar bem. A diferença aparece por dentro, e sobretudo no que acontece quando algo sai do planejado.
Três perguntas que separam as duas
Quando alguém traz esse tema para a sessão, eu costumo devolver com estas perguntas. Elas não têm resposta certa. Elas revelam.
- O padrão é seu, ou é uma dívida? Buscar excelência nasce de querer. O perfeccionismo costuma nascer de precisar: provar, compensar, evitar a decepção de alguém.
- O que acontece quando dá errado? Quem busca excelência se frustra com o resultado. O perfeccionismo transforma o erro em veredito sobre a pessoa: "eu não sirvo".
- Existe um ponto de chegada? A excelência tem um "pronto". O perfeccionismo move a linha de chegada toda vez que você se aproxima dela.
A excelência quer fazer bem. O perfeccionismo teme o que significa não fazer.
Por que isso importa
Importa porque a saída muda conforme o caso. Se o padrão é seu e te move, talvez só falte descansar mais.
Quando há medo por trás, atacar o comportamento tem pouco efeito. Fazer menos, entregar mais rápido, "relaxar o padrão": nada disso alcança o que sustenta o ciclo. Quem sustenta é uma regra silenciosa, aprendida em algum momento da sua história. Se eu não for impecável, alguma coisa ruim acontece.
Na TCC, essa regra vai para a mesa e passa por um teste: ela ainda serve à vida que você tem hoje? Quase sempre ela fez sentido quando foi criada. A pergunta é se continua fazendo.
Perceber a diferença já é meio caminho. O outro meio costuma ser mais leve do que parece.
Quer olhar para isso com calma?
Se essas perguntas mexeram em algo, esse é exatamente o tipo de conversa que cabe numa sessão.
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